sábado, 28 de junho de 2008

O Rosa é uma rosa é uma rosa é uma rosa

O Rosa é uma rosa é uma rosa é uma rosa Renato Pompeu

Reprodução/Arquivo DC Hoje (27) faz exatamente 100 anos que João Guimarães Rosa nasceu, o maior escritor brasileiro do século XX e, com Machado de Assis, um dos dois maiores escritores brasileiros de todos tempos, e autor seguramente de um dos 500 mais importantes livros que a humanidade já produziu, o romance épico Grande Sertão: Veredas . Ele já nasceu predestinado a lidar com palavras: um bebê com aquilo roxo com o sobrenome de Rosa, filho de um sr. Florduardo Pinto Rosa, conhecido como seu Flô, e de uma dona Francisca Guimarães, conhecida como Chiquitinha. Além disso, nasceu numa cidade mineira chamada Cordisburgo, que poderia ser uma palavra inventada por ele, mista de latina e germânica e significando Cidade do Coração.
Formado em medicina, se tornou diplomata e estudou ao longo de sua vida, em profundidade, 23 línguas, e, mais superficialmente, muitas outras. Era imensamente erudito em todos os campos humanísticos, da poesia em sânscrito à psicologia analítica do psiquiatra suíço Carl Jung, passando pelos linguajares do sertão mineiro que pesquisou em lombo de burro em longas viagens. Diplomata do Estado Novo na Alemanha Nazista, arranjou passaportes para centenas de judeus alemães, que assim escaparam do Holocausto e vieram refazer a vida no Brasil. Tornou-se anticomunista por não conseguir suportar o que Stalin e seus asseclas fizeram com a literatura e com a alta cultura em geral.
"Nonada, tiros que o senhor ouviu não foram de briga de homem não, Deus esteja." Ninguém escrevia assim, ninguém falava assim – mas todos, os que liam e os que ouviam a frase inaugural de seu grande romance entenderam perfeitamente o que ele quis dizer. "O diabo na rua, no meio do redemunho." Todos, inclusive os ateus e os numerosos crentes em Deus que não acreditam na existência do Diabo, sentiam o que Rosa quis dizer com essa frase: que os nossos piores sentimentos estavam à solta, que estávamos dispostos às ações mais odiosas para vingar um malfeito contra nós.

É uma das mais lindas histórias de amor de todos os tempos, e talvez seja a mais linda história de amor impossível de todos os tempos, e sem dúvida é a que tem o desenlace mais surpreendente de todas as histórias de amor engendradas pelo engenho humano. Ao mesmo tempo, é um profundo tratado de lingüística, com seus neologismos arcaizantes e seus arcaísmos neologizantes, só encontrando paralelo no Finnegan’s Wake , do irlandês James Joyce, alcançando o mesmo patamar de complexidade vocabular, mas sendo muito mais legível e muito mais compreensível. Ao mesmo tempo, é um tratado de sociologia, pois se trata, no fim das contas, de um jagunço que consegue ao final o que cada pobre do campo sempre quer: um pedaço de chão que possa chamar de seu.

Mas acima de tudo é uma fonte de prazer e de emoção, até mesmo de um sofrimento que nos engrandece e nos enobrece. Tem o pathos de uma tragédia grega, o ritmo de um belo poema lírico e a grandeza de uma epopéia, além de ser ao mesmo tempo uma comédia, não divina, mas humana – juntando assim, num livro só, todos os diapasões da grande literatura ocidental, tais como foram literalmente canonizados pelo filósofo grego antigo Aristóteles. Rosa é uma rosa. Afinal, a rosa é uma invenção humana – não existem rosas silvestres –, mas foi produzida a partir da eglantina, flor silvestre. Ele tinha o santo nome aramaico de João, o germânico sobrenome de Guimarães (que vem a ser Weimaraner), e o latino e florido sobrenome de Rosa. Nasceu, mas não morreu, ficou encantado. Renato Pompeu é jornalista e escritor, autor do romance-ensaio O Mundo Como Obra de Arte Criada pelo Brasil , Editora Casa Amarela.


Nota: fragmentada
Uma reflexão cheia de admiração e gratidão ao mesmo tempo, em revelar um dos maiores escritores da Literatura Brasileira em meu espaço (na minha opinião), perdendo apenas para o grande Machado de Assis.Guimarães Rosa conseguiu o ato maravilhoso de nos fazer viajar em seus livros, resaltando acima de tudo a vida no homem sertanejo, buscando o valorizar da nossa cultura nordestina, aqui vale postar algo sobre este grande escritor da nossa tão rica Literatura.

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