quinta-feira, 11 de setembro de 2008

As crianças que ninguém queria

Caso queiram e possam leiam, porque mesmo com atrocidades acometidas, isso nos leva a crer que nossa sociedade ao que me consta está cada vez mais doente, tanto física, mental e moralmete. À familia tem se depreciado e fatalmente encontra-se fragmentos dela por todos os lados, seja na classe A,B,C ou D, estamos perdendo o sentido, jogando fora valores que só agregam a nossa vida como ser humano.
Reflete também claramente a papel fundamental da igreja nos últimos dias, em nosso congresso realizado em 06/08 o prefeito da cidade de São Bernardo do Campo, resaltou de maneira clara e objetiva o valor da fámilia e o papel da igreja p/ com a sociedade, resgatando os valores e alimentando o caráter e formação do homem.
Não obstante, sabemos que o fato do prefeito mencionar e admitir que a igreja principalmente "Os Evangélicos", tem participação ativa e constante em valorizar a fámilia, sarando o homem de total perda de conduta, podemos dizer que há intenções políticas, pois raramente o veriamos dizer se não fosse em época de campanha eleitoral.
No entanto concordo plenamente no que diz respeito a igreja de Cristo, que há um papel fundamental e necessário para sarar a nação brasileira e transformar a sociedade corrupta de valores pouco admiravel, em uma sociedade no minímo valorizando o maior sonho de Deus a nossas vidas À FAMILIA
As crianças que ninguém queria
O assassinato e esquartejamento dos irmãos João Vitor, de 13 anos, e Igor Giovani, de 12, mudou a rotina de Ribeirão Pires. Seus habitantes tentam entender o que aconteceu no dia 5, quando lixeiros encontram um pé humano em um saco. Em seguida, outros sacos e outros pedaços de corpos. Os irmãos, rejeitados pela mãe, pelo pai e pela madrasta, estavam mortos.Ricardo Osman - 9/9/2008 - 22:38 Ricardo Bakker/AOG
Na soleira da porta de entrada da casa foram deixadas três rosas vermelhas. As paredes marrons estão pichadas e um lacre avisa que o delegado Ailton Moraes Muniz interditou aquela residência no sábado, dia 6 de setembro. A companhia de água, ignorando o que ali se passou, enviou a conta, fincada no vão da porta. A casa, nos fundos de uma vila da rua Cândido Mota, em Ribeirão Pires, município da Grande São Paulo, é o local da tragédia que todos tentam entender como pôde acontecer. Ali foram mortos, na sexta-feira, dia 5, pela madrasta, e possivelmente, pelo pai, dois irmãos, João Vitor dos Santos Rodrigues, que tinha 13 anos, e Igor Giovani Santos Rodrigues, de 12 anos. Eram crianças que ninguém queria. A madrasta, a mineira Eliane Aparecida Antunes Rodrigues, de 36 anos, confessou o crime, descreveu como asfixiou as crianças e diz que agiu coagida pelo pai dos garotos, o paulista João Alexandre Rodrigues, de 40 anos, vigia noturno de uma empresa de São Bernardo do Campo.
Ambos estão presos na delegacia de Ribeirão Pires. "O pai ainda não confessou", diz o delegado responsável pelo caso, Luiz Carlos dos Santos. "Mas também não esboça nenhuma reação, nem de raiva." Hostilidades - O caso chama atenção pela semelhança com o da menina Isabella Nardoni. Eliane e João Alexandre moravam juntos (e com as crianças) há pelo menos quatro anos, segundo vizinhos. Aparentemente, levavam uma vida normal. Eliane gostava de ir ao salão de cabeleireiro bem em frente à vila e falar de coisas banais. João, nos dias de folga, costumava lavar seu Gol. Não eram vistos brigando um com o outro. O que era notório na comunidade e no Conselho Tutelar do município eram as hostilidades de Eliane contra as crianças. "Há poucas semanas, ouvi ela dizer, novamente, que os garotos não iriam estragar seu casamento", disse uma moradora da rua Cândido Mota. A mãe dos irmãos, Claudia Lopes dos Santos, os rejeitou cedo, segundo as investigações, alegando não ter condições de criá-los. Os irmãos foram morar na casa do pai e da madrasta. Mas lá não foram bem-vindos.
No final de 2006, por decisão da Vara da Infância e da Juventude, seguiram para um abrigo em Ribeirão Pires. Lá ficaram por todo o ano de 2007. "Eles se negavam a sair do abrigo", conta hoje o delegado. Foi aberto um Boletim de Ocorrência contra Eliane e o pai por "abandono de incapaz". A Conselheira Tutelar da cidade, Edna Aparecida, foi chamada à delegacia. Ela já conhecia a história dos garotos, que, nesse momento, pediam para seguir para o abrigo e não de volta para casa, conforme consta no boletim. Mas a conselheira tomou outra decisão. Tudo foi registrado na polícia: "Na versão dos menores, o pai de ambos é omisso em relação às atitudes da madrasta, apoiando-a em tudo, (mas) acrescentam que não foram agredidos neste dia. Foram entregues à Conselheira Tutelar do município, Edna Aparecida, a qual deliberou por devolver as crianças ao casal de indiciados, apesar de ambos (os meninos) demonstrarem desejo de ir para um abrigo..." À noite, os irmãos foram deixados de volta na casa da vila. "É difícil julgar a decisão da conselheira, mas causa estranheza o fato de ela ter se baseado em pareceres de janeiro deste ano", diz o delegado Santos.
Na cidade, alguns defendem uma discussão severa sobre a atuação do Conselho Tutelar de Ribeirão Pires. É o caso de Cristina França, de 35 anos, moradora da cidade, que se diz integrante da Pastoral da Criança. "O Conselho mostrou, neste caso, que não funciona." Advogado - "Ainda vi Eliane na quinta-feira dizendo que iria procurar um advogado para se defender", conta sua cabeleireira, que preferiu não se identificar. Já João Alexandre tem irmã e pais na cidade, onde nasceu e cresceu, completando apenas o segundo grau. Lixo - Os irmãos eram inseparáveis. Iam todos os dias juntos para a escola estadual Dom José Gaspar, localizada no fim da rua Cândido Mota, onde estudavam. Perderam no último ano o gosto de soltar pipa e a alegria no rosto, segundo colegas. A tragédia abalou o colégio.

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