domingo, 14 de setembro de 2008

O cérebro humano mede o tempo

Texto inteligente e interessante, vale a pena ler, pratica-lo é uma arte.
Por Airton Luiz Mendonça (Artigo do jornal o Estado de São Paulo)
O cérebro humano mede o tempo por meio da observação dos movimentos.
Se alguém colocar você dentro de uma sala branca vazia, sem nenhuma mobília, sem portas ou janelas, sem relógio... Você começará a perder a noção do tempo. Por alguns dias, sua mente detectará a passagem do tempo sentindo as reações internas do seu corpo, incluindo os batimentos cardíacos, ciclos de sono, fome, sede e pressão sanguínea. Isso acontece porque nossa noção de passagem do tempo deriva do movimento dos objetos, pessoas, sinais naturais e da repetição de eventos cíclicos, como o nascer e o pôr do sol. Compreendido este ponto, há outra coisa que você tem que considerar:
Nosso cérebro é extremamente otimizado. Ele evita fazer duas vezes o mesmo trabalho. Um adulto médio tem entre 40 e 60 mil pensamentos por dia. Qualquer um de nós ficaria louco se o cérebro tivesse que processar conscientemente tal quantidade. Por isso, a maior parte destes pensamentos é automatizada e não aparece no índice de eventos do dia e portanto, quando você vive uma experiência pela primeira vez, ele dedica muitos recursos para compreender o que está acontecendo. É quando você se sente mais vivo.

Conforme a mesma experiência vai se repetindo, ele vai simplesmente colocando suas reações no modo automático e 'apagando' as experiências duplicadas. Se você entendeu estes dois pontos, já vai compreender porque parece que o tempo acelera, quando ficamos mais velhos e porque os Natais chegam cada vez mais rapidamente. Quando começamos a dirigir automóveis, tudo parece muito complicado, nossa atenção parece ser requisitada ao máximo. Então, um dia dirigimos trocando de marcha, olhando os semáforos, lendo os sinais ou até falando ao celular ao mesmo tempo. Como acontece? Simples: o cérebro já sabe o que está escrito nas placas (você não lê com os olhos, mas com a imagem anterior, na mente); O cérebro já sabe qual marcha trocar (ele simplesmente pega suas experiências passadas e usa , no lugar de repetir realmente a experiência).

Em outras palavras, você não vivenciou aquela experiência, pelo menos para a mente. Aqueles críticos segundos de troca de marcha, leitura de placa... São apagados de sua noção de passagem do tempo... Quando você começa a repetir algo exatamente igual, a mente apaga a experiência repetida. Conforme envelhecemos, as coisas começam a se repetir -as mesmas ruas, pessoas, problemas, desafios, programas de televisão, reclamações... Enfim... As experiências novas (aquelas que fazem a mente parar e pensar de verdade, fazendo com que seu dia pareça ter sido longo e cheio de novidades), vão diminuindo. Até que tanta coisa se repete que fica difícil dizer o que tivemos de novidade na semana, no ano ou, para algumas pessoas, na década. Em outras palavras, o que faz o tempo parecer que acelera é a... ROTINA Não me entenda mal.
A rotina é essencial para a vida e otimiza muita coisa, mas a maioria das pessoas ama tanto a rotina que, ao longo da vida, seu diário acaba sendo um livro de um só capítulo, repetido todos os anos. Felizmente há um antídoto para a aceleração do tempo: M & M (Mude e Marque). Mude, fazendo algo diferente e marque, fazendo um ritual, uma festa ou registros com fotos. Mude de paisagem, tire férias com a família (sugiro que você tire férias sempre e, preferencialmente, para um lugar quente, um ano, e frio no seguinte) e marque com fotos, cartões postais e cartas. Tenha filhos (eles destroem a rotina) e sempre faça festas de aniversário para eles, e para você (marcando o evento e diferenciando o dia). Use e abuse dos rituais para tornar momentos especiais diferentes de momentos usuais. Faça festas de noivado, casamento, 15 anos, bodas disso ou daquilo, bota-foras, participe do aniversário de formatura de sua turma, visite parentes distantes, entre na universidade com 60 anos, troque a cor do cabelo, deixe a barba, tire a barba, compre enfeites diferentes no Natal, vá a shows, cozinhe uma receita nova, tirada de um livro novo.

Escolha roupas diferentes, não pinte a casa da mesma cor, faça diferente. Beije diferente sua paixão e viva com ela momentos diferentes. Vá a mercados diferentes, leia livros diferentes, busque experiências diferentes. Seja diferente. Se você tiver dinheiro, especialmente se já estiver aposentado, vá com seu marido, esposa ou amigos para outras cidades ou países, veja outras culturas, visite museus estranhos, deguste pratos esquisitos..... Em outras palavras...... V-I-V-A. !!! Porque se você viver intensamente as diferenças, o tempo vai parecer mais longo. E se tiver a sorte de estar casado(a) com alguém disposto(a) a viver e buscar coisas diferentes, seu livro será muito mais longo, muito mais interessante e muito mais v-i-v-o... do que a maioria dos livros da vida que existem por aí. Cerque-se de amigos. Amigos com gostos diferentes, vindos de lugares diferentes, com religiões diferentes e que gostam de comidas diferentes. Enfim, acho que você já entendeu o recado, não é? Boa sorte em suas experiências para expandir seu tempo, com qualidade, emoção, rituais e vida. .

Um comentário:

Prof.Hélius disse...

em muitas revelações interessante neste texto, mas ao tentar fazer uma receita, um antidoto, existes muitas armadilhas.
É verdade que fazer diferente, qualquer coisa é um grande passo, mas não é uma questão quantitativa de repetições de modo diferente que vai mudar a percepção que temos do tempo.E além do mais, esta automatização das ações, funciona como a algébra para a matemática, por exemplo "x" e "y", não impota o que representão, mas facilita operações onde posso generalizar.Da mesma forma, o processo descrito acima , do pensamento, nos dá a vantagem de poder usar nossa mente pra pensar rápido, sobrando parte da mente para elaborações mais complicadas, como falar ao celular, conversar com o passageiro.
O tempo é composto por 3 dimensões:

Duração.

Velocidade.

Direção.

Tudo que existe tem que ter uma duração, para ser captado pelos sentidos, transformados em sensações e conceituado pelo pensamento.
Tudo acontece a uma determinada velocidade que é uma percepção relativa a sua frequência, isto é repetição por unidade de medição, ex: Hertz, metro, segundo, etc.
Tudo tem uma direção.Tanto pode ser codenadas espaciais, como norte, sul, leste, oeste, ou altura, largura e profundidade, assim como a direção da história, dos movimentos sociais, da ecologia, etc.

O terceiro item, direção, é o mais importante.

Quando tivermos uma visão que nos permita ver em que direção vai o tempo, saberemos que toda aquela automatização possibilitou-me chegar onde cheguei, dispondo de uma menor perca de tempo com coisas que já precisei apreender, e não preciso mais.Eu incorporei o passado que é o somatório que chamo de presente.
A minha duração, é a duração de toda minha vida e a sua velocidade se dá a medida que preciso menos tempo pra capturar o momento e responder a ele.

A direção não pode ser uma linha reta horizontal de fatos e repetições.
A direção é a qualidade da resposta que posso produzir agora.

Por isso a receita acima esta errada. Não é fazendo apenas diferente, por variações no mesmo tema que vai produzir uma melhor qualidade do tempo.

Penso que a tríade do tempo: Passado; Presente; Futuro, é uma linha reta enganosa, presente na estrutura da nossa percepção do tempo.

O que realmente existe é uma sincronicidade desta tríade.

O futuro sera sempre a direção da duração e a velocidade de minhas percepções de sensações, conceitos, permitindo uma aplicação nova e criativa.
Nós criamos o futuro na direção do criativo, não da repetição variada.E esta direção é a produção de toda minha vivência do momento na direção do que ainda falta alcançar.

Prof.Hélius (www.prof.helius.blogspot.com)