domingo, 22 de fevereiro de 2009

" PROGRESSO E PERFEIÇÃO "

- Diga-nos, se houvesse algo que pudéssemos fazer
por vossa aldeia, o que seria?
- Com todo respeito, Sahib, tendes pouco a nos ensinar
em termos de força e resistência.
Não invejamos vossos espíritos inquietos.
Talvez sejamos mais felizes do que vós.


Frequentemente, durante a permanência em Khorpe, Mortenson sentiu a presença de sua irmã caçula Christa, especialmente quando estava com as crianças da aldeia.- Tudo na vida deles era com sacríficio - disse Mortenson. - Eles me lembravam o modo como Christa penava para fazer as coisas mais simples. E também como ela perseverava, não importava que dificuldade que a vida lhe apresentasse. Ele decidiu que queria fazer algo por eles. Talvez quando chegasse a Islamabad, podesse usar o último dinheiro que tinha para comprar livros didáticos para serem usados na escola ou outro material escolar. Deitado junto à fogueira, antes de dormir, Mortenson disse a Haji Ali que queria visitar a escola de Korphe, e insistiu na idéia mesmo depois de perceber o olhar evasivo do homem. Finalmente, o chefe concordou em levá-lo à primeira hra, na manhã seguinte.


Depois do café-da-manhã familiar, com chapattis e chá, HajiAli conduziu Mortenson por uma escarpa até uma extensa laje a 250 metros acima do Braldu. A vista era esplêndida, com as geleiras gigantescas do alto do Baltoro contra o azul muito acima das paredes rochosas e cinzentas de Korphe. Mas Mortenson não estava admirando a paisagem. Ele estava estupefato ao ver 82 crianças, 78 meninos e quatro meninas que tiveram a coragem de acompanhá-los, ajoelhados no chão gelado, a céu aberto. Haji Ali, evitando encarar Mortenson, disse que a aldeia não possuía uma escola, e que o governo paquistanês não lhes mandara um professor. O salário de um professor era de um dólar ao dia, ele explicou, que era mais do que a aldeia poderia pagar. Então, dividiram um professor com a aldeia vizinha de Munjung que lecionava em Korphe três dias por semana. Durante o restante do tempo, as crianças faziam sozinhas as lições que lhes eram passadas. Mortenson observou, com o coração na boca, os alunos atentos começarem seu "dia escolar" cantando o hino nacional do Paquistão.


Quando entoram a última nota do hino, as crianças se sentaram em círculos e começaram a copiar as tabuadas de multiplicação. A maioria escrevia no chão com gravetos que haviam trazido consigo. As mais "afortunadas", como Jahan, tinham tabuletas de madeira, nas quais escreviam com varetas com a ponta umedecida de lama. - Você pode imaginar uma turma de quarta série nos Estados Unidos, sozinha, sem professor, sentada, em silêncio, fazendo suas lições? - pergunta Mortenson.-Isso me cortou o coração. Havia neles uma vontade de aprender tão grande, apesar de todas as dificuldades, que me lembrou Christa. Eu sabia que tinha de fazer alguma coisa. (capítulo 3 - fragmentos página 35/39/40)

Livro: A Terceira Xícara de Chá

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