domingo, 15 de março de 2009

ENCONTRO AMIGO, REENCONTRO AMOR...

Salvador - Bahia, foto amigo-Zig

Existem pessoas que simplesmente não esquecemos. Vale para qualquer relacionamento, seja amizades, inimizades, paixão, amor enfim qualquer tipo, alguns com certeza jamais esqueceremos. A dose de sensibilidade para destacar pessoas que cruzam nosso caminho é algo trabalhado por toda vida. Um ciclo vicioso e saudavél para quem deseja viver sem perder de vista qualquer fragmento importante. Posso dizer, com certeza, tenho um leque a favor da sensibilidade para notar frações de segundos de uma vida ou história congratulada. Na sexta-feira indo para casa, um pouco cansada (é verdade) mas feliz, pensamento longe (só pra variar) desci as escadas em passos largos e ofegante para tentar chegar um pouquinho mais cedo em casa. Estava com sede, minha garganta estava seca e naquele momento o maior desejo era um banho gostoso e um suco gelado (de preferência goiaba, manga ou maracujá, hum delícia) molhando a garganta. Chegando esbaforida, olhei o relógio a frente era exatamente 23:25, havia passado um pouquinho do horário de costume, mas tudo bem, não havia problema, era sexta-feira e no outro dia poderia dormir até mais tarde seria sábado. Agora aproximando-se do ponto em passos curtos, pensamentos vagos, sede, calor, seca e finalmente cinco minutos mais tarde o trólebus chega, destino Ferrazópolis. Entrei sentando nas últimas cadeiras e tive uma agradável surpresa. Era ruiva, cabelos curtíssimos, magra, estatura baixa digamos, mochila, jeito despojado e tranquilo e a reconheci de primeira. A queridíssima Mary, uma pessoa um tanto especial, estudou comigo no Henfil em 2008, àquela que mencionei há um tempinho, que ficavámos filosofando no intervalo ou em aulas cheias de tédio, assim nos isentando da chatice. Fiquei muito feliz, até então conversando apenas pelo orkut, sabendo como havia sido festas de fim de ano, férias, algo de novo ou mesmo para saber como estava o inicio do ano de 2009. Mary é uma figura, rindo e tempo todo com aquele olhar tão, tão distante soando um “quero mais da vida, o que ela quiser me dar to aí”, garota cheia de qualidades, ninguém dormi no ponto, se dormir ela acorda, jeitinho largado de ser, extremamente sensível e dona de uma personalidade marcante, conversamos o que o tempo nos permitiu.Comentou como ia na faculdade, o que gostava o que não gostava e lembrar das pessoas que nos marcaram foi inevitável. Perguntei do Zigue, o chamamos assim mas o nome dele é Valmir, para não perder o costume vou continuar a chama-lo de Zigue tá. E para minha surpresa, ou melhor para a grande surpresa Mary contou a mais linda novidade. Essa que divido e registro neste espaço.


A história do Zigue não havia um ponto final. Lembro-me como se fosse hoje, com cara de surpresa, contemplando um homem se derramando em palavras, suspiros, olhares distantes, querendo resgatar cada pedaçinho dos momentos e como não dizer? Havia mais sinceridade como nunca. Contou-me com tantos detalhes que surpreendeu-me muito, afinal detalhes não é coisa de homem, homens não ligam para detalhes, jogam fora, dando valor ao que é centro, centro de tudo o ato em si, no beijo o que vira detalhes? Nada, só estão beijando . Já para mulheres, tremendamente intensas, beijo é cheio de detalhes. Ai meu Deus deixa pra lá, não vou entrar em detalhes não é? Afinal regressar há 10 anos é duro demais, é muita dor, então deixa assim concentro-me na história do Zigue. Fiquei encantada contando-me detalhes, como disse, detalhes não é para homens. Uma história de vai e vem, encontros e desencontros, tentativas desesperadas para esquecer, relacionamentos fracassados, a espera, o tempo e nada, não conseguia esquecer. O seu olhar, o seu cabelo, o seu cheiro, o seu sorriso, a sua pele não saia dele. Meus caros Zigue amava àquela mulher. Engraçado contando sua história e eu e Mary do lado, suspirando, olhos molhados, às lágrimas iriam descer e contemplei uma atitude de um homem que sabe o que é ser homem. Lágrimas, sentimento, amor é coisa pra macho, mas apenas para àqueles que assumem, os que escondem eu desprezo e o chamo de covardes. Não conto os detalhes por que seria feio da minha parte, como disse sou um túmulo, não conto nada lembra-se. Finalmente depois de longos 5 anos, eu disse 5 anos minha gente, 5 anos, não são 5 dias, 5 semanas, 5 meses, são longos 5 anos, Deus presenteou esse amor, dando um reencontro, uma nova chance, aquém não é medroso, não é covarde, não é fraco. Sim Deus dá novas oportunidades, para quem desperdiça a felicidade.

Embora haja muitos céticos, extremistas, incrédulos, injustos, àqueles que buscam a razão sempre. Ah perdão sou fanática, não é? Por não acreditar em certas loucuras sou fanática. Me perdoe meu caro, minha essência incomoda, eu vejo, eu sinto, eu penso, eu tenho razão, mas para o amor eu a dispenso. É verdade eu sou fanática pelo amor. Então eu creio em Deus, assim como creio no amor, eu não o vejo, eu não o toco, mas eu sinto, eu respiro o amor todos os dias da minha vida. Enfim, quando contava-me sobre a amada, eu sentia claramente que a história não havia um ponto final, era intensa demais, era longa demais. Quer saber o que faz uma mulher ficar sozinha? O amor. Quando estamos tão enfadadas da mesmice, de homens vazios e sem história, sem vida, sem sentido. Isso nos faz querer ficar sozinhas. Para dar chance a nós mesmas de que uma hora o amor nos encontra. Zigue sabia que ela o amava, estava sozinha, estava a espera, estava vivendo os dias com esperança de que uma hora ele iria reencontra-la e tirar daquele vazio.Mas como sempre o homem é razão, pensa, pensa, pensa. Como poderia deixar seu orgulho de lado, como deixar a razão de lado, assumir seus erros? Como? Não ele não iria procura-la, fugir seria mais fácil, menos dolorido, sufocar os sentimentos seria o melhor a fazer. Pra quê dar uma chance, mesmo sabendo que ela estava sozinha o esperando. Não vou para longe tentar com outra, em outro lugar, essa história já deu o que tinha de dar. E foi. Foi embora sem olhar para trás. Frio, calado, cabisbaixo. Ele foi embora. Na hora em que contava-me meu sentimento era de raiva. E a pergunta do por quê ele não a procurou, não pediu perdão foi: - Não sei. Não sabe? Deus ajuda-me a entender a cabeça dos homens, por favor ajuda-me por que sinceramente não dá. Eu conheço histórias lindas, que teria tudo para ter um grande final. Mas que são podadas pelos não sei dos homens. Meu Deus! O Senhor estava certo, chegaria o tempo do caos em que o amor de muitos esfriaria. Não entendo. Ele foi embora, sem dar adeus, sem dizer nada, sem explicar. Ele desperdiçou o amor.



Salvador - Bahia, foto amigo-Zig


Não tem jeito só dão valor quando perdem. Quando alguém se aproxima. Foi quando percebeu a grande bobagem que havia cometido. Era inevitável ela não se entregar a um braço que a quisesse consolar. É tanta dor, tanta saudade. Como poderia não se entregar a um consolo. Alguém que a quisesse bem, que segurasse suas lágrimas. Não meus caros, mulher é pura emoção, sentimento, vida, amor. Zigue teria a notícia a km de distância de que sua amada estava com alguém. Um turbilhão de pensamentos na hora. Seu melhor amigo havia dito as piores palavras.
- Zigue sabe quem casou?
- Não? Quem?
-Seu grande amor?
- É? E quem é meu grande amor?
- Silêncio.
Sabia perfeitamente quem era seu grande amor. Imagina na hora o que não sentiu. Creio que não foi nada de bom, uma angustia deve ter o invadido e a vontade de chorar foi o que primeiro veio a mente. Mas não chorar na frente de ninguém, afinal sou macho. Machos não choram, somos fortes, superiores. Quem sabe em casa se não aguentar no caminho para casa. É ele chorou. Com certeza chorou. Sabia que não haveria mas chance. Daqui por diante um homem alquebrado tenta de todas as formas tirar aquele sentimento, relacionamentos mil iria acontecer. Mulheres bonitas ou não, cultas ou não, inteligentes ou não, casadas ou não, amigas ou não havia desespero e nenhuma conseguia apagar suas lembranças. Todavia casamentos, relacionamentos que tem histórias intensas como inimigo, dificilmente duram, tentar esquecer em outro é papo furado hein! Não funciona, trabalho em vão. E foi o que aconteceu nenhum durou (relacionamentos). Eu suspirava e mais uma vez a pergunta que não cala: - Por que você não a procura? Mesmo assim, mesmo do jeito que está? Dá a cara para bater? Ele responde: - Não tarde demais. Faz muito tempo. Eu sei que um dia vou encontra-la, um dia vou tirar a prova mas não agora, quem sabe um dia. Jesus, até agora eu suspiro. É muita coisa de uma só vez. Ai como amo histórias assim. Encontros x reencontros. Tudo encaixando-se.
Tempo de férias, já havia acabado o cursinho, nos despedindo de mais um ano e volta e meia lembrando dessa história. Conversas no orkut, de oi, oi, coisa básica nada longo e ele estava bem. Em janeiro percebi umas fotos lindas, céu azul, mar, sorriso lindo nas fotos e pensei. Bom ele tá bem, foi viajar, nada como viajar para ficar bem. Não mas não era apenas isso. Mary me contaria nesta sexta-feira 13/03/2009, Zigue teria a mais bela surpresa da sua vida.


Neste lugar lindo, vejam as fotos. Zigue reencontrou o seu grande amor. Cinco longos anos se passaram e o reencontro, cauteloso, surpreso e intenso, os olhares o dominaram, na timidez do silêncio um falava com o outro. E percebo mas há a vida (Clarice Lispector).


Mas há a vida
que é para ser
intensamente vivida,
há o amor.
Que tem que ser vivido
até a última gota.
Sem nenhum medo.
Não mata.
(Clarice Lispector)


O que aconteceu? Creio que inevitável se tocaram, se olharem, se abraçarem, sentir a respiração um do outro, pegar na mão suada macia, tocar os cabelos, segurar firme no peito. Sentir o amor.
E a felicidade de saber que os dois vão dar chance ao amor, embora tenha passado longos 5 anos, embora tenha a distância, embora tenha pessoas envolvidas dos dois lados. Ele deu chance ao amor. Algo que com certeza o faria. Uma pena. Mas não tenho a chance de ter um reencontro, pq minha oportunidade foi arrancada pela existência e só me resta lembranças. Sabe qual o meu maior medo? Não sentir o que senti há 10 anos. Não amar é loucura. Mas veja bem? Eu disse amar meu caro, trabalho pra vida inteira. Não falo coisa micha, pouca, vazia, ficadinhas, relacionamentuzinhos. Não, não. Eu falo de vida. Ás vezes eu tento engrenar algo, mas apenas encontro vazio, convardia e medo. Nada de amor. Então dissipo os relacionamentos e alguns dizem: - Desse jeito não vai dar certo Ana, vc não quer ninguém? Começa a namorar, pessoas bacanas, inteligentes, lindos e termina do nada? Sem motivos? O que há de errado com você? Vai ficar sozinha desse jeito? Esqueça o passado meu! Passado é passado, quem vive dele é museu. Suspiro. Enfado. Ninguém entende mesmo, então meu silêncio brada por todos os lados. Mas voltando, logo que soube tratei de escrever coisas que o fortaleceria, incentivando a seguir em frente e me respondeu.
Eis aí palavras do homem mais sortudo do mundo, o homem que deu chance ao amor.

14/03/09 valmir oi Aninha meu anjo.obrigado por tudo linda. voce sim que é especial, uma super pessoa.a minha historia com a minha Ana é simplesmente surpreendente, eu jamais poderia imaginar que uma pessoa poderia ser tao feliz como eu fui no dia em que eu a reencontrei. foi lindo; tudo lindo.estamos de certa forma mesmo a distancia vivendo um para o outro. não sei o que a vida nos guarda. mas temos certeza de que em quanto existir AR para respirarmos, nos amaremos. pra sempre...e viva a vida.te desejo toda a felicidade do mundo. voce merece ser feliz; muito feliz afinal voce é uma ANA.


Sem palavras. Deixa o silêncio falar. (chorando)

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