domingo, 26 de abril de 2009

Pássaros Feridos....

video

Descendo as escadas, leve quase sem respirar, cada passo esperado, um suspiro, um olhar e o reencontro. Percebe o olhar dele, importa dizer algo de seus pensamentos como "nossa como ela cresceu, que beleza de mulher" fica estupefacto. Ela em volta de uma delicadeza desce as escadas o perseguindo com os olhos, mas suave, passo a passo sem pressa de chegar. Um vestido tão delicado e bonito a deixa ainda mais no centro das atenções. Mas Meggie não liga, pois interessa apenas um dentre todos os olhares. A fazenda linda, a casa simples, o espaço cheio de rosas, os cavalos e tudo deixa o campo mais belo do que foi. Entende apenas aquele que um dia morou em fazenda, o contato com a natureza e cada partícula de tudo que ela produz e entrega ao homem é admirado. O vento no rosto, o sol, o calor, o cheiro das árvores e flores, as frutas, o céu azul, as nuvens esparramadas e à noite apenas o silêncio e clarear do céu estrelado. Por um momento pensa, não há lugar melhor, é bom viver cercado de tudo que a natureza tem, é a verdade. Acordar de manhã e olhar para céu e ver pássaros voando, alguns visitando na janela ou fazendo o ninho nas árvores é tão lindo. Tem o símbolo da liberdade, porque ninguém aqui pode voar a não ser eles. Bater as asas e quando quiser voar alto, alto, olhar os raios do sol atravessando tudo ao redor e sentir aquele ventinho é bom. É livre. É liberdade. A fazenda desta família sempre me chamou a atenção, a pequena Meggie ainda mais. No entanto Ralph deixa um rastro de ira e indignação a cerca do que preenche um homem. O amor explica-se? Se tivesse regras, como seria? Uma confusão com certeza. O amor não escolhe o ninho, pousa sem permissão, por que não obedeci a regras, religiões, preconceitos, credo, tempo, idade, classe social, simplesmente "destrói" as barreiras, muros, prisões, montanhas, distância e tempo para atingir seu alvo sem que alguém perceba.

É bela de dentro para fora, Meggie consegue emocionar com a insistência em não aceitar o não para o amor. Insisti, persisti até obter uma resposta que a convença de que não pode amar quem seu coração deseja, descubro a ambição de Meggie e sua fome e sede é o amor. Ralph totalmente confuso e perturbado com o desejo que sente em corresponder o amor de Meggie, amor esse "proibido" dá ouvidos a ambição que não sacia a alma do homem. Jamais o espírito e alma de um homem poderá se satisfazer em posição, dinheiro, doutrinas, regras e riquezas, é impossível. Escute bem, é impossível. Como seres espirituais podem saciar-se neste prazer momentâneo?Jamais, por que somos o que somos sem tudo que desejamos. O material não suporta o espiritual, o amor não se materializa nas conquistas do homem. Não. Não há como dedicar uma vida inteira a conquistas, as riquezas deste mundo. Pois no final vai perceber que nada disso valeu a pena, seus diplomas, cursos, posição, riqueza, bens no final não ligará para a matéria que não salva. Olhará para dentro de você e dirá. "o que fiz? Minha alma está vazia demais" "O que aconteceu? Deixei a vida passar!". Então procura desesperado algo que o salve, algo que preencha o vazio e solidão e percebe que o amor virou as costas porque a muito você o deixou. A inquietação na alma de Ralph em não saber o que deseja para satisfazer seu espírito é frustrante. E ver a vontade de Meggie em viver o amor apaixona, de tal forma que o odio por Ralph é sempre. Ele um padre ambicioso por doutrina e posição não enxerga o amor real e intenso, ela sempre esteve ali, o amor estava ao lado se materializando para salva-lo. Por que a única coisa que salva é o amor, pois "ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse AMOR, nada seria (cor.13/1), com certeza Ralph esqueceu-se deste versículo e o guardou em qualquer lugar menos dentro de si.

Mas importa dizer que nem todo pássaro quer voar? Creio que ele é destes, ferido pela vaidade dos homens, impede Meggie de voar, de sentir o calor, o vento as asas baterem no ar em busca do horizonte perfeito. Mas alguns pássaros sabem voar? No desenrolar da história há tantos encontros e desencontros, idas e vindas, desejos espalhados e marcados no chão por falta de existência. A inveja, a ignorância o orgulho tem espaços largos no coração de uma tia dura, solitária e egoísta que ama a Ralph de maneira doente. Isso seria amor? Amor machuca? Mas ele não contrói? Dizem que o ódio e amor são vizinhos, moram ao lado. Sei lá. Pensar assim seria contradizer as formas de amar. É dizer que eu odeio por amor? Isso é surreal. Mas chega um momento que tem que decidir, pois esta prestes a conseguir o queres e a dúvida perdura, passeia na mente. Mas nunca a esqueci. Ela sempre esteve em mim. Nunca saiu de mim. Lembro do seu olhar, seu sorriso, seu cabelo, seu cheiro, tudo isto ainda em mim. Na mente. Em cada lembrança.Finalmente um crédito para Ralph, pois resolve voltar, tirar a dúvida do que perturba sua alma, aquela inquietação, falta de sossego no espírito, falta de paz, então, resolve tirar a prova do amor que ficou obsoleto.

Um momento lindo, quando chega àquele paraíso, as ilhas gregas que testemunha toda a explosão do amor de Meggie e Ralf, finalmente a inquietação é sanada, as duas almas cansadas de brigar com o amor e desejo. Meggie em tempo consegui atingir seu alvo e vê o quanto vale a pena ter lutado contra os nãos de Ralph, os desencontros, os olhares escondidos com medo do pecado, da idade, da religiosidade, da doutrina, da vaidade e do descaso. Dizer que torcia para os dois viverem naquela ilha e morrerem de tanto amar, com certeza era o que mais queriámos. Mas como sempre a moral, a consciência de que somos errados fala mais alto. E mais uma vez ele a deixa só. Seco. Indiferente. Cabisbaixo.Sem olhar para trás. Os homens nunca olham para trás. Sempre vão embora, sustentando a superioridade, a vaidade e a força. Esqueceu de que são mais fortes? Ninguém persisti tanto tempo, os dias, meses e anos corta os fios. A espera é longa e Miggie se torna no que nunca desejaria, a imagem forte, impiedosa como dama de ferro é sustentada. Como resposta a indiferença de Ralph na recusa deste amor que atravessa o tempo. Mas alguns pássaros ainda voam? Passa tempo, tempo passa e o destino sempre os faz reencontrar, mas agora com a indiferença. Nunca mais se olhariam da mesma forma, se tocaria, sentiria o amor, a não ser na morte. Praticamente todas as cenas se passam em volta de uma jardim na fazenda, até no final quando a morte sela o encontro, se vê rosas lindas de todos os tamanhos e cores, o vento balançando os cabelos de Meggie e seu olhar de anjo impressiona. Talvez por que naquele tempo não havia a modernidade, a tecnologia que há hoje. E perguntar porque não há filmes ou séries como antes é quase inevitável.

Mas pássaro ferido ainda consegue voar? No final a morte dá seu ultimato e decide toda a história , Meggie perde seu grande e único amor. O pássaro ficou cansado e pousou no chão, bateu suas asas e não quis mais voar. Triste no adeus suas asas caem no chão e o pássaro dá seu ultimo suspiro. Então morre. Lembro de cada cena, porque assisti (claro) na companhia da minha mãe, quando pequena, e assisti em nova versão não faz tanto tempo, uns 4 anos acho. Nas duas eu chorei abundantemente. Gosto se discuti? Não. Então.Voltando Uma história linda que nunca esqueci. Uma das (tantas)histórias, pois assistíamos muitos filmes e choravámos sempre (ainda o fazemos) em casa, tempos de friozinho é sempre. E cada detalhe não esqueço, desde a rosa na mão de Meggie, os cavalos, os cabelos (lindos)e levemente ruivos, os sorrisos enquanto se entregam ao amor, as mãos no rosto , o rosto angelical, a força, a paixão, os beijos quentes e arrebatadores, aquela explosão de tudo que estava guardado a tanto tempo em tudo Meggie fascina, ela luta sempre, sempre e sempre até o final. Ralph lindo como é, em tudo(deixando qualquer Bradizinho Pitt no chinelo) afinal Ralph é o esplendor em forma de homem, espetaculo, deixando-me apaixonada por este padre tão cruel em não corresponder ao amor da pequena Meggie.Deixa clara e evidente de que para os homens não importa tanto o amor.Ele fica no fundo, no último plano, para depois, quando der , quando puder deixa lá guardado, para quem sabe quando puder usar. De que seus desejos são preenchidos mesmo que momentaneamente, pois nunca olham para trás. Nunca percebem o que está bem perto deles, na sua cara. Quem fez este video acertou em tudo. Cada cena e dizer que chorei muito quando encontrei é quase certo. Mas pássaros ainda voam? Mesmo feridos e cansados de insistir?Mas pássaros ainda lembram como voar? Consegue enxergar suas asas grandes e soltas no ar?Ainda,ainda,ainda sabe voar? Pássaros feridos ainda sabe voar? Tenho minhas dúvidas. a maioria não sabe o que é voar.

2 comentários:

Bruno L.S disse...

isso já é triste demais, nunca assisti mas só de contar a tristeza, da porra do padre em não corresponder o amor da menina desanima

Rose15 disse...

Adorei o texto, parabéns! O livro aprofunda mais o perfil dos personagens, mostra todas as contradições, tem diálogos inspirados, e muita coisa diferente do filme (estou acompanhando no TCM). Se vc permite, andei pesquisando, meu inglês não é bom, mas achei paralelos entre a história (no livro) e a vida da autora: ela nasceu na mesma data que a filha de Meggie (01/06/37), tem os cabelos bem vermelhos (como a familia de Meggie), é única filha entre 10 irmãos (como Fee e Meggie), cresceu em colégio de freiras, e perdeu um irmão de 25 anos, afogado, na Grécia, quando ele salvava pessoas que estavam se afogando, como Dane. Acho que a história é semi-biográfica. Parabéns pelo texto, abç.