domingo, 14 de junho de 2009

ESTÉRIL

Chegando agora,neste exacto e preciso momento que faço questão de anotar às 21:25, já que o blog nunca está com horário certo. Houve pouco tempo, muito pouco para pensar, a semana literalmente chupou-me toda força, energia, coragem, alegria, ânimo... Foi tão sufocante, que mal tive tempo de olhar no espelho e dizer "nossa Ana como vc está horrível" não deu tempo pra isso. Não sei no que estou me tornando. Não sei se é isso mesmo. Se é assim. Se quero preencher meu vazio desta forma, atolada de atividades sem fim, dedicando-me ao extremo a textos, a trabalho estressante, a obrigações do dia-a-dia que suga como vampiro a vida. Será isso mesmo? Hoje em pleno domingo estava cheia de coisas a fazer, milhares de folhas na cama, almofadas, lápis, caneta, marca texto e pirações de Filosofia minha e da Dai, apenas uma pausa para o almoço e minha mãe "gritando" ...."Anaaaa comida fria não presta menina....ôooo já chamei três vezes". Levar a Dai no ponto dar tchau e dizer "até amanhã" e lembrar ainda tenho isso e aquilo pra fazer, subindo correndo, disparada até entrar no quarto sentar na cama e começar de novo. Por um segundo parei. Respirei fundo. Meu Deus!!! Minha semana foi assim o tempo todo, não houve dia para descanso, não houve folga, saindo cedo chegando tarde, de casa para o trabalho, do trabalho pra faculdade, da faculdade pra casa, de casa pra biblioteca, pra casa de amigas pra terminar aquilo que não consegui. Quando de repente. Parei... coloquei a música da Vanessa da Mata Ilegais e senti o maior vazio do planeta terra. Quando quase desceu uma lágrima fiz algo. Larguei tudo, me arrumei e desci para o colo do Pai. Fugi, não quis saber, dei tchau para o monte de afazeres e para a vontade de chorar. Não. Minha vida não é apenas isso não. Quando estou neste estado apenas algo me consola. E agora os putos do inferno que não acreditam em porra nenhuma (isso mesmo...vc leu isto que acabei de escrever e isso não é palavrão, foi apenas partículas enfáticas...) vem com aquela historinha furada de que isso é coisa de gente fraca. E minha educação e delicadeza foram embora nesta semana e mais do que nunca estou escorpiana, sem trava na língua, sem paciência e manda-lo para o inferno ou para um lugar pior é o que vou fazer. Então na boa sem essa tá. Corri pro colo daquele único que entende o que sou e o que sinto. Um desassossego só. Uma partícula num espaço enorme. Um fragmento antigo e empoeirado. Uma alma desajustada. Um anjo torto. Uma menina com medo do escuro. Não eu não sou forte. Só tenho jeito. Mas eu não sou. Sinto todo vazio e solidão desde criança. Nunca compreendida pelo pai que sempre a chamou de estranha e esquisita, que fez questão de ignora-la enquanto estava perto e que hoje quer o carinho,amor, considerações. Será que dá? Será que posso? Então esquecer tudo, passar uma borracha, será que dá? Alguém que um dia encontrou alguém na mesma condição de só, solidão e desassossego, que a "salvou" de um pai violento dizendo "tudo bem ele não vai mais machucar você" e este alguém parecido com aquele dos sonhos e que foi embora pra sempre, sem nunca ter dado tempo de dizer adeus, até logo, até mais, apenas uma abraço apertado dois dias antes do acontecido.

Meu Deus!!! E como ser normal diante de tanta coisa. Como ser livre bater asas depois de anos e anos a fio de grande tristeza e solidão. Como deixar espaço para alguém. Por que eu não culpo ninguém, não falo que não dou certo com ninguém por que àquele fez isso ou aquilo. Afinal investir no que é inconstante, ninguém é obrigada a compreender que sou difícil demais. Quase um enigma. Um desajuste permanente entre o presente e passado. Conversei com Deus por alguns minutos é como não estivesse ali, estivesse em qualquer lugar menos ali sentada naquela cadeira, olhando os botões de giras sois que estavam à frente. Quando sinto-me deste jeito peço colo a Deus, peço consolo, que enxugue lágrimas que não cai. Que aqueça alma fria, que dê sangue a coração que não quer saber de viver. Preencher o vazio com coisas deste mundo dá nisso. Talvez chegue nos 80 anos cheia de diplomas pendurados na parede, cursos disso daquilo outro, aclamada por bem feitos na sociedade, por trabalho bem exercido, por conduta certa, pelo bem prestado a sociedade, uma casa bonita e grande, uma carreira exemplar de fazer inveja, bens materiais ao redor para escolher, dinheiro no bolso e sozinha. vazia, velha e só. Isso muito me assusta. Não sabe o quanto. Por que no andar da carruagem é assim que me vejo daqui a tantos anos. Sozinha. Quando falo sozinha não quer dizer que não apareça alguém, não é isso, porque gente para transar, beijar na boca não falta, tem sempre alguém a fim de matar a solidão numa noite e nada mais. Amores rápidos, quer dizer amor uma porra, isso não tem nada a ver com amor é trepar mesmo. Ficadas e nada mais baby. E sinto isso não dá pra mim, foi-se o tempo que fazia isto (ha assustado, não fui recatada a vida toda, ah pelo amor , já houve tempos de ser porra loca) quase todo macho que se aproxima espanto. Não dou chance, saio de fininho e nem quero saber. Não sou bicho. Ainda tenho controle sobre meu corpo e só viro bicho quando convém, quando vale a pena. Encontrar alguém que entenda toda loucura é raro, também pudera o pobre homem tem que estar na mesma condição se não realmente é impossível. Não dá. Estes eram meus pensamentos, ali sentada naquela cadeira. Até que um juiz contou a história de Ana. Coincidência? Com certeza é. Preciso parar de acreditar que há sentido pra tudo. Por que a verdade é, nem sempre há sentido, razão, propósito de ser pra tudo merda! Coincidência é coincidência e pronto acabou. Pois nenhuma até hoje rendeu algo que me fizesse importante. Então parei.Sem essa piração, isso aconteci o tempo todo com biliões de pessoas na porcaria deste planeta. Ele falava da esterilidade de Ana em como se sentia em não ter filhos o que naquela época era um desastre. Mencionou a angústia que sentira sua alma quando clamava apenas movendo o lábios, sem expressar uma só palavra. Em como sua lágrimas desciam e Ana chorava abundantemente pedindo um filho. Na sua humilhação diante de Penina sua rival, sim Elcana seu marido tinha mais uma esposa, Penina era fértil e lhe dava filhos, mas ele amava a Ana que era estéril, seca, árvore difícil de dar frutos. A história é longa e nesse momento o juiz-pregador resume dizendo que em meio a tanta dor o Deus de Israel ouvira o clamor de Ana e lhe dera filhos, a fez mãe de Samuel que mais tarde seria profeta e ungiria a Davi ao trono de Israel fazendo cumprida a promessa do Deus de Israel. Ele descreveu tão lindamente a história de Ana, mas não consegui chorar, o vazio, a sequidão até os ossos, a frieza dentro de mim não saia. Até que pedi em voz baixinha, quase inaudível , pedi " Deus não me deixe neste vazio, nesta solidão, não me deixe ser alguém tão amarga". Não ouvi a voz dele, acho que anda chateado comigo, por não mais procura-lo e por não ter mais tanta fé como tinha antes. E no som de um piano, toques baixos e suave me senti como Saul ao ouvir Davi tocar a harpa e sentir seus demónios acalmados. Senti paz. Um alivio que não sei explicar. Então voltei em passos tão curtos e lento que não consegui sequer sentir o frio, havia tantos pensamentos ao mesmo tempo. Uma estranheza de querer mais do que está diante dos olhos. Entregar vida a coisas deste mundo e não se dar chance. Isso sim é loucura! Saber e ter a consciência de que está se tornando estéril é bom, mas não fazer nada a respeito isso sim é loucura! O que estou fazendo com meus dias? O que vou ganhar em ganhar só coisas deste mundo? Pra onde vou com tanto sem nada nas mãos? Pra onde vou nessa solidão....nesse vazio todo....pra onde? (...)

[já tinha me prometido não mais escrever nada sobre isso, fazer deste blog como no mundo real, apenas de aparência...nada cumprido, então futilidades para meus amigo Bruno sentir-se menos só]

4 comentários:

Lubi disse...

nossa, quanta sinceridade.

às vezes, sinto o mesmo. uma impotência diante da própria vida, um vazio inexplicável.
acho que todo mundo sente.

um beijo.
fique bem.

Sandrinha disse...

Amiga nossa que garota é essa minha Ana ...porque tanto vazio..vc não acredita no Deus do impossive, quando tudo na nossa vida parece esta perdido, que não temos mais forças para nada, que achamos que nada vai mudar e como vc disse daqui uns anos será que vou esta nessa mesma situação...Não amiga qdo não temos mais o que fazer e nem pensar ai é hora de Deus Trabalhar, qdo tentamos resolver do nosso jeito, sempre arrumando aqui e ali,fica tudo do mesmo jeito. Mais quando sem amsi forças nos ajoelhamos e oramos a Deus, confessando todos nossos erros, medos, frustações e solidão, dizendo a ele não posso fazer mais nada senhor, agora entrego minha vida em suas mãos ai sim, Deus começa a agir e tudo que parece impossivel hoje será possivel amanhã é só deixa Deus agir. Eu creio que não será assim como disse, será diferente, e daqui uns 50 anos estará sim velhina mais com seu Izaque ilhos e netos, rodiada de familiares e amigos, e ainda vou escutar de você, Deus é fiel.
Te amo muito
San

Ana disse...

Sannnnnnnnn.....

Mi amore amiga lindona...

Obrigada por este carinhooo, por palavras tão lindas e por não me esquecer.

Fico tão feliz...não sabe o quanto.
Tu foi, é e continua sendo muito especial pra mim.

um beijo enorme .
e tudo o q escrevo é apenas um desabafo...

Desabafo de alma ...sabe ...ainda continuo do mesmo jeito quieta...calada...sem falar de qualquer problema e/ou sentimento pra alguém....

então escrevo e falo comigo mesma.rs

continuo a Ana de sempre;

bj

Sandrinha disse...

Amiga porque não me liga e nem me da seu tel.....sinto que ainda vive aquele amor e que por mais q tente ele continua ai firme.....Mais esse amor não será mais possivel né...então tente pelo menos mais uma vez ser feliz.
te amo