domingo, 9 de agosto de 2009

MIA MIA MIA - MIA COUTO - MIA MIA MIA

Foi uma suspresa! Estava desligada e distraída lendo o prefácio de alguns livros que aparentemente interessavam. Foi tudo muito rápido, embora, ouvindo, lendo, vagamente aqui e ali algo dele. Mas não éramos chegados. Não conhecia sequer um trecho dele, uma palavra, uma frase, era puro silêncio no ar. Enquanto os olhos atentos fixavam nas palavras do livro preto em mãos, ele foi direto, como os raios de sol que iluminam a escuridão. Fui atraentemente atraída, meus passos lentos e "pesados" em sua direção; era marron, havia duas perninhas em forma de desenho e um diálogo. Diálogo este que estarreceu-me, causando sensações variadas entre quente e frio no corpo, um vai e vem de sensações. Uma rajada de adrenalina envade o corpo deixando-me atordoada. Li o diálogo e um tanto "tonta" e desvairada, até q virei para ve-lo de frente; a cor marron predominava e a cor verde ficava em destaque, do lado o corpo de uma negra e uma cadeira simpática, ao lado um pano velho, vestígio do que acontecera a negra? Não sei. A única sensação naquela hora era comprar o livro independente do valor, deita-lo em minhas mãos ou na sacola e leva-lo comigo. E foi exatamente o que fiz. Levei Mia Couto pra casa, e confesso não me arrependi em nada.nada vezes nada. Pois boto aqui um fragmento do livro, deste que se tornara amante, pois meu marido (ainda continua sendo) é Machado de Assis, meu eterno caro leitor; meu ficante hora vai hora vem nosso relacionamento difícil é Carlos Drummond de Andrade, mas agora sinto a necessidade de um amante, alguém fixo que renda prazer constantemente.Achei Mia Couto, agora amante na escrita, nos escritos, nos livros. Com apenas um diálogo me seduziu de tal forma que não consigo esquece-lo, suas palavras são arrepios no meu corpo e quando lembro de Deolinda, a negra e da vontade do médico Sidônio Rosa segura-la em seus braços, beijar sua boca e roçar em seu corpo.(suspiro)... tenho a vontade de ser Deolinda, ou vontade de que exista alguém que me deseje e procure como ele o fez...mas pensamentos...apenas pensamentos no livro fascinante...Eis aí

"- Tens medo de fazer amor comigo?
- Tenho - respondeu ele.
- Por eu ser preta?
- Tu não és preta.
- Aqui, sou.
- Não não é´por seres preta que eu tenho medo.
- Tens medo que eu esteja doente...
- Sei prevenir-me.
- É porquê, então?
- Tenho medo de não regressar.Não regressar de ti."
(fragmentos do capítulo doze)

Não há descrição para tal. Não há. Pelo simples motivo de amar a palavra regresso, regressar etc...Mas ainda com a forma que ele trata a escrita alternando a norma culta como bem diz o livro (abaixo) e as palavras populares do povo moçambicano. é quase como resumir o que sinto quando aprendo ou ouço uma palavra local de tal região...uma forma inventada ou bem criada de fazer a palavra existir. Não. Sinto. Mas não há como não faze-lo de meu, meu adoravél amante. Aquele que por ignorância ( toda e completa, pois não sei e não conheço tudo, assim é bem melhor pois tenho a chance de aprender tudo em tudo com tudo, então sou eterna ignorante) pois mal sabia quem era, no começo uma mulher?? ou achando graça pelo Mia...lembra algo de gato...sei lá. Entenda que ele me pegou e pegou de jeito, de lado, de frente, de pé, deitada. Degustei cada palavra numa maravilhosa sensação...alternando os dias com meus pensamentos e agora?? O que será que aconteceu?? E Deolinda onde estará?? Terminei a leitura somente hoje, só enrolando em cada capítulo pois a intenção era de que a história não acabasse. Mas me prometo registrar aqui o capitulo mais intrigante e envolvente do livro.logo+

Enquanto isso...

Venenos de Deus, remédios do Diabo tem um pé fincado na vida cotidiana do Moçambique contemporâneo e o outro no terreno mágico da poesia. A prosa inventiva de Mia Couto mais uma vez opera de forma magistral a mestiçagem entre a norma culta do português moderno e as variantes dialetais faladas pelas populações moçambicanas. A partir daí, materializa-se uma trama desenrolada em meio ao nevoeiro que encobre o casario e as almas de Vila Cacimba, pequeno lugarejo capaz de abrigar tremendos enigmas. Bartolomeu Sozinho é um velho mecânico naval moçambicano da era colonial, agora aposentado. Vivendo nu país já tornado independente de portugal e saído de 30 anos de uma devastadoraguerra civil, o velho está doente e muito certo de que vai morrer. Sidônio Rosa, o médico português que atende em domicílio, faz o possível, porém, para enculcar-lhe esperança. Fraco como está, no coração de Bartolomeu se agitam lembranças e desejos que lhe saem da boca sob forma de histórias emblemáticas da trajetória de todo um povo, na melhor tradição da cultura oral africana. O que só nos faz lembrar de que estamos em um país onde se diz que cada velho que morre é uma biblioteca que arde. (fragmentos do livro)...
Venenos de Deus, remédios do Diabo - Mia Couto
Companhia Das Letras

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