domingo, 29 de novembro de 2009

Este é para fechar o domingo, agitado, cansativo e corrido

Já sentiu coisas estranhas? Do tipo, bom, como explicar isto. É talvez, saiba, daquelas que dá vontade. E achei que não daria conta, porque havia tanto a fazer, tanto para acertar e pontuar. Sábado de trabalhos sem fim, começando cedinho minha escala de novo, atrasos, explicações ao gestor que irritado por problemas maiores descontava em mim logo cedo, reunião, planilhas e saio de lá com a cabeça cheia, cansada, ligando as pressas p/ Ma avisando que logo chegaria. Uma tarde de leituras e mais leituras, enfado na verdade, vídeos, debates, estresse, daqueles que fazem rir sabe. Nenhuma das quatro aguentava mais ouvir Maquiavel, Kant e outros que incansavelmente tentamos dominar, ter na ponta da língua. Ideias, muitas ideias. Surge uma para o seminário da Salete, adivinha? Sim! Teatro e se contar o que vamos aprontar talvez duvide. Mas as ideias são boas. Riso. Desabafo.Choro.E a certeza de logo estar mudando de casa para apertamento. Sim, pq morar em prédio é apertamento só.(risos) Uma pouco mais perto, mas ainda em São Bernardo, conhece o Rudge R? Então é lá. Confesso um pouco ansiosa e medrosa a princípio. Já estou superando o fato de ficar sem a mainha, mas é o encontro com o novo que assusta, sei que necessário mas o friozinho na barriga não passa. E olha só agora vou ser "mulherzinha", antes não era. Não. Nunca fui de fazer as compras de casa, de controlar as coisas, de fazer almoço, janta (isso muito me preocupa risos), ser do lar. Se tivesse que expressar, caberia na condição de homem da casa, saindo muito cedo e chegando muito tarde, então sme tempo para estes detalhes do cotidiano. Sempre tive minha mainha p/ fazer tudo isso, e claro nada de dondoquice, de jeito nenhum, a faxina sempre foi por minha conta, mas assuntos mais prendados não eram de minha ossada. Então, de certo modo, tudo novo.

E as vezes dou risada sozinha e penso - ah meu Deus o que será de mim? Eu não sei nem fritar um ovo? Não sei fazer nada? Quer dizer, nada de bom, nada das coisas maravilhosas que minha mãe faz. Mas aí lembro. Opa! Bingo! Tem meu irmão, que dicas de passagem, cozinha demais. É um homem prendado, criado por mainha e euzinha aqui, então já viu . Tem frescura não. Ele lava, passa, cozinha (demais!!!) e ainda faz faxina (reclamando) mas sabe fazer.E de novo a estaca zero, meu irmão nunca, mas nunca fica em casa, não é nada caseiro e trabalha mais viajando, então voltemos ao ponto de partida. E considerando que por força maior e questão de sobrevivência, será até engraçado me ver nesta situação, toda atrapalhada, na cozinha com cebola no cabelo, cheiro de alho nos dedos, queimando o arroz, deixando o feijão virar sopa, a carne dura feito sola de sapato. Olha só. Que maravilha! Bem vinda dona Ana Karla ao mundo dos solteiros lascados que passam fome tendo comida em casa (, risos milhares de risos) é tabaroas na certa! Ai que medão! Mas vambora que no fim tudo se ajeita. Posto aqui as situações engraçadas, atrapalhadas em breve. Logo que mudar, lá em meados de dezembro, talvez segunda semana. E voltando ao fim de semana.

Sábado até as duas horas da manhã, lendo, discutindo, propondo, brigas de novo, acertos, e finalmente adiantamos boa parte do seminário. Pontuados alguns assuntos. E esqueço de falar, a gente fina, amiga da Ma que conheci, estudante do quarta ano de Letras na Usp. Com papo bem interessante, risadas e risadas e a identificação de cada gosto. E falamos de Clarice Lispector (pirei!!!), Guimarães Rosa e Mia Couto. A informação de um curso gratuito na Unesp (ou é Unicamp?) de neurolinguística que nos interessou (eu e Maria), o convite dela, amiga da Maria que esqueci o nome (disse que sou péssima para lembrar nomes rs) para assistir suas aulas qualquer dia, com prazer disse que sim. sitando a feira de livros, assuntos sobre livros, amo, não tenho tantos, pq a maioria pego emprestado na biblioteca da faculdade, mas o pouco que tenho zelo, um ciúmes dos poucos que tenho. Adoro livros. E resta o domingo. E começou cedo, na bairro mais "em casa" que já senti, na Brasilândia periferia de todo dia, na casa da Ma, esta que vem se mantendo especial e amiga de todo momento.Mas sobre a Brasilândia falo depois logo mais.

E domingo, foi na Liberdade (bairro um tanto "estranho" de Sampa), misturaiada de gente (risos), seguindo a Sé e parando no Parque Dom Pedro, um dia cansativo demais, mas cheio de surpresas incríveis. A seleção para o documentário (simples, nada d+), entrevistas com a gente que não sabe e talvez não entenda Arte, mas que, faço encaixo perfeito em dizer que da Arte eles entendem sem saber. A maior de todas, a "Arte de sobreviver" em condição precária e desleal que encontra. A invisibilidade social mais real de todas, a perda da identidade, a loucura para a loucura, manter-se vivo, os conflitos, às decepções, às lembranças, às tristezas e tanta coisa a enfrentar quando está em situação de rua. Meus entrevistados foram gente que outrora foi como eu, você ou qualquer mero mortal deste mundo medíocre, dispunha de um cama para dormir, comida na mesa todos os dias, um emprego e sonhos. E calma, pq não estou romantizando a situação e colocando como os bons-excluídos da sociedade vilã. Não sou a boa samaritana e não faço caridade e favor a humanidade. Longe disto. A questão é ampla e complexa para tratar levianamente. Só a certeza que assuntos ligados a Questão Social (muito) interessa, impossível fugir, fingir, aceitar a condição.E política e religião ganham espaços largos, em tal proporção que às vezes me sinto chata d+, quase uma surtada de tanto que leio e procuro entender. Então, às 18:10 chego em casa, um pouco cansada, mas certa que o maior esforço foi feito, e na volta pensado em tanta coisas e então sinto saudades e vejo o fim de semana acabou, mas um, sem tê-lo... é são mil e uma coisas...

2 comentários:

Paulo Augusto Veira disse...

Não tenha medo!
A vida de solteiro é boa..Mesmo não sabendo cozinhar.Gostaria de ser prendado como seu irmão. Sou como você, não sei fritar um ovo,a cozinha é meu último passeio na casa. Mas tente a casa dos amigos, sempre funciona.Aceite como elogio, você escreve divertido.Fico com sorriso no rosto.

Ana... disse...

opa,

gradicida por palavras consoladoras
e meu irmão só é prendado por força maior, do tipo ou se vira ou morra de fome (ahahhahah). Assim a gente aprende entende.