sábado, 22 de maio de 2010

Segundo Fragmento - Décima Terceira Voz

Talvez não consiga. Ela acaba de chamar outra vez, pedindo que eu vá.Ela ainda não aprendeu a ser sozinha uma pessoa. Estou esperando por ele, eu disse. Eu não o conheço. Estou contando a histórias deles, como te disse naquela tarde, quando me convidaste para ir ao cinema.Preciso ter cuidado com seu nascimento, expliquei. Como uma pequena cadela prenhe, são fetos delicados estes. Mas só sabias dançar, pouco entendes dessas histórias inventadas. Requintadas, talvez banais. Espera, está ficando ainda mais escuro. Tenta de outro jeito. Cronólogico, quem sabe? Pode ser, pode ser. Tento: a casa, o rio, o piano, está bem assim? Porque eles queriam nascer, eu voltei na manhã seguinte para a Grande Cidade Vazia. O cimento das avenidas da Grande Cidade Vazia Cheia somente de serpentinas, restas de confete, preservativos esporrados, trapos de cetim, flores de plástico, garrafas quebradas, máscaras partidas, pontas de cigarro, latas e cerveja. Fomos avançando pelo meio do lixo da alegria. Era de manhã. Ele me deixou na porta. Então comecei.

II.Marcelo

Acabei de me masturbar. Não lavo as mãos para começar a escrever. O esperma vai manchando a folha, misturado às gotas de suor que escorrem dos pêlos de meu peito.(...)

Caio Fernando Abreu
TRIÂNGULO DAS ÁGUAS - fragmento (pg.28)

2 comentários:

ande disse...

Ana Karla,

Acabei de me masturbar, como assim????
Essa foi tudooooo...
Bjes garota frankeiraaaaaaaaa

LILIAN BORGES POESIA disse...

esse cara da foto tem um corpo que poderia render várias...

delicioso.