domingo, 8 de agosto de 2010

A delicadeza dos olhos de agua. Apaixonante demais.


O tempo, o castrador do amor
.
Chama-se amor a isto:
beber horas roubadas,
no receio constante
de que alguém as descubra
. . . . . (assim se tem cadastro!);
morder com pressa
a polpa dos minutos,
sem lhes sorver o sumo,
sem lhes tirar a casca
. . . . . (assim se apanham úlceras!);
ter este modo brusco
de engolir os segundos,
como se fossem cápsulas
de qualquer barbitúrico
. . . . . (assim se morre às vezes!)
O culpado: este cão
que trazemos bem preso,
todo agarrado ao pulso,
e a que chamamos Tempo.
. . . . . (sempre a ganir de susto.)

.
David Mourão-Ferreira

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[Imagem: Lina Scheynius]



Este blog é incrivelmente lindo. Me supre de algo que neste momento é necessário. Créditos bem dado, seguido de recomendação. A certeza de muito prazer ao acessá-lo. Lindo!

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