domingo, 5 de setembro de 2010

Se amor for a coragem de ser bicho(ainda assim,eu quero)

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"E se realmente gostarem?
Se o toque do outro de repente for bom? Bom, a palavra é essa.
Se o outro for bom para você. Se te der vontade de viver.
Se o cheiro do suor do outro também for bom.
Se todos os cheiros do corpo do outro forem bons.
O pé, no fim do dia. A boca, de manhã cedo. Bons, normais, comuns. Coisa de gente. Cheiros íntimos, secretos. Ninguém mais saberia deles se não enfiasse o nariz lá dentro, a língua lá dentro, bem dentro, no fundo das carnes, no meio dos cheiros.
E se tudo isso que você acha nojento for exatamente o que chamam de amor?
Quando você chega no mais íntimo, No tão íntimo, mas tão íntimo que de repente a palavra nojo não tem mais sentido. Você também tem cheiros.
As pessoas têm cheiros, é natural.
Os animais cheiram uns aos outros.
No rabo.
O que é que você queria?
Rendas brancas imaculadas?
Será que amor não começa quando nojo, higiene ou qualquer outra dessas palavrinhas, desculpe, você vai rir, qualquer uma dessas palavrinhas burguesas e cristãs não tiver mais nenhum sentido?
Se tudo isso, se tocar no outro, se não só tolerar e aceitar a merda do outro, mas não dar importância a ela ou até gostar, porque de repente você até pode gostar, sem que isso seja necessariamente uma perversão, se tudo isso for o que chamam de amor.
Amor no sentido de intimidade, de conhecimento muito, muito fundo.
Da pobreza e também da nobreza do corpo do outro.
Do teu próprio corpo que é igual, talvez tragicamente igual.
O amor só acontece quando uma pessoa aceita que também é bicho.
Se amor for a coragem de ser bicho.
Se amor for a coragem da própria merda.
E depois, um instante mais tarde, isso nem sequer será coragem nenhuma, porque deixou de ter importância.
O que vale é ter conhecido o corpo de outra pessoa tão intimamente como você só conhece o seu próprio corpo.Porque então você se ama também."
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Preciso ter, possuir urgentemente este livro. Se não enlouqueço. É de uma sensibilidade, de uma "sensualidade", de um prazer entrelinhas, algo tão, tão e tão humano. Fascinante por assim dizer e não saber dizer mais. Ainda este ano vou tê-lo, deitá-lo nas mãos e ler... Calmamente, pausadamente, sem pressa de chegar. Tempo reservado, para ler, Os dragões não conhecem o paraíso.Opaaaaaaa, mas pera aí, esse trecho, lembrei agora acho que não é deste livro. Se não estou enganada, já li, algo. E se não estiver loca, é do Tri^^ângulo das águas. Ah, minha nossa! :)) Eu tenho e nem lembrei disso, que comprei o livro, justamente por causa deste trecho. :)) ! Mesmo assim, comprarei os dragões. :))

Um comentário:

Lilian Borges Poesia disse...

Esse trecho entra na alma da gente como um punhal que nos mata... se morre de amor, de tesão e quando você goza e tem orgasmos múltiplos parece que vai morrer, mas vai até lá e volta sempre que quer... e estremece seu mundo...