domingo, 16 de outubro de 2011



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" VIVER ME DEIXA TRÊMULA "


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Dor? Alegria?
Só é simplesmente questão de opinião.
Eu adivinho coisas que não têm nome e que talvez nunca terão.
É.
Eu sinto o que me será sempre inacessível.
É.
Mas eu sei tudo.
Tudo o que sei sem propriamente saber não tem sinônimo no mundo da fala mas enriquece e me justifica.
Embora a palavra eu a perdi porque tentei falá-la.
E saber-tudo-sem saber é perpétuo esquecimento que vem e vai com as ondas do mar que avançam e recuam na areia da praia.
Civilizar minha vida é expulsar-me de mim.
Civilizar minha existência a mais profunda seria tentar expulsar a minha natureza e a supernatureza.
Tudo isso no entanto não fala do meu possível significado.
O que me mata é o cotidiano.
Eu queria só exceções.
Estou perdida eu não tenho hábitos.


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Clarice LISPECTOR.

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